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Marco Legal da IA está quase virando lei. Seu atendimento sobreviveria a uma auditoria hoje?

Tecnologia e Inovação
calendar 21.7.2026

O Projeto de Lei 2338/2023, conhecido como Marco Legal da Inteligência Artificial, foi aprovado por unanimidade no Senado em dezembro de 2024 e está na fase final de tramitação na Câmara dos Deputados, com a Mesa Diretora pressionando por uma votação em plenário ainda em 2026, antes do recesso parlamentar. 

Ou seja: não é uma discussão distante. É uma lei que pode sair enquanto você lê os próximos parágrafos e decide, ou não, arrumar a casa antes disso.

E o motivo de esse tema pesar especificamente sobre quem lidera atendimento é simples: em nenhum outro momento uma regulação chegou tão perto da cadeira de quem decide, no dia a dia, o que uma IA pode e não pode responder ao cliente final.

O que o Marco Legal da IA propõe

O PL 2338/2023 segue a lógica do AI Act europeu: classifica sistemas de inteligência artificial por nível de risco (excessivo, alto e baixo/moderado) e estabelece direitos para quem é afetado por decisões automatizadas, como transparência, explicação e contestação. 

O texto também cria o Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA) e prevê sanções que podem chegar a R$ 50 milhões por infração (Exame; Senado Federal).

Na prática, empresas que usam IA em áreas como atendimento ao consumidor podem precisar demonstrar como uma decisão automatizada foi tomada, quais dados foram usados e quais critérios levaram àquele resultado, algo que só é possível se existir, hoje, algum tipo de auditoria sobre o que a IA está fazendo.

Por que isso é, antes de tudo, um problema de governança, não de tecnologia

No NeoTalks de julho, o especialista em atendimento Ricardo Tiba conversou com Rafael Fernandes, gerente de Customer Service do grupo Fitway, sobre exatamente essa lacuna: empresas que colocam IA para atender sem antes decidir quem é o dono daquela IA.

Segundo Rafael, existem três pilares inegociáveis para colocar um agente de IA em produção sem virar passivo jurídico:

Transparência com o cliente. Ele precisa saber que está falando com uma inteligência artificial e ter uma rota fácil para o atendimento humano. Não por ser uma formalidade, mas porque cada persona reage diferente ao autoatendimento. Quem já está insatisfeito não tem paciência com um fluxo robotizado; quem só quer resolver rápido nem percebe se falou com IA ou humano.

Alçada bem definida. É preciso deixar claro o que a IA nunca pode fazer (mais do que o que ela pode). No caso de Rafael, que atua com suplementação e nutrição, o agente jamais pode indicar dosagem ou fazer qualquer afirmação regulada pela Anvisa e pelo Conar, porque isso ultrapassa o limite entre orientação e prescrição.

Um dono humano. Nenhuma IA pode operar sem curadoria. Alguém precisa auditar as respostas semanal ou quinzenalmente, entender como o agente está se comportando e ajustar o trilho conforme o negócio muda porque, como ele resume, “não adianta colocar o bot para rodar e achar que isso vai resolver o problema da empresa até 2037”.

Sem esses três pilares, o risco não é só de má experiência, mas pode ser:

  • financeiro: descontos ou trocas aprovados fora da alçada,
  • de segurança de dados
  • de shadow AI: times usando IA sem que a liderança saiba
  • e de efeito caixa-preta: quando nem a própria empresa consegue explicar por que a IA tomou uma decisão. Esse último ponto, aliás, é exatamente o tipo de lacuna que o Marco Legal da IA quer fechar por lei.

Assista ao NeoTalks completo:

O tamanho do risco, em números

A boa notícia é que esse problema já está mapeado por quem estuda risco corporativo, não é só teoria de regulação. Segundo o estudo da Gartner, até 2027, processos manuais de conformidade em IA vão expor 75% das organizações reguladas a multas superiores a 5% da sua receita global. Apesar de as regulações variarem por país, todas convergem para a mesma exigência: um processo sistemático de gestão de risco (Gartner).

Ou seja: o problema não é ter IA. É não ter processo em torno dela. E processo manual, informal, “de boa vontade”, não escala nem para o volume de atendimento, nem para o nível de exigência que uma lei como o PL 2338/2023 impõe.

Exemplo prático: quando a falta de trilho vira notícia

O mercado de atendimento já tem um caso emblemático de quanto custa não ter esse trilho definido: o chatbot de uma companhia aérea deu uma informação errada sobre reembolso a um cliente, o caso foi para a Justiça e a empresa tentou argumentar que a IA seria uma “entidade legal separada”, responsável por suas próprias respostas. O argumento não convenceu, o cliente não estava falando com um robô, estava falando com a marca.

LEIA TAMBÉM | Como a IA vai mudar a relação entre marcas e clientes

É esse tipo de situação que o Marco Legal da IA tenta formalizar em regra: se a IA decide em nome da empresa, a responsabilidade pela decisão continua sendo da empresa.

Como aplicar isso na sua operação, antes da lei sair

Antes de contratar mais uma ferramenta de IA ou expandir a que já existe, vale rodar um checklist simples com o time:

  1. Existe uma pessoa (ou área) formalmente responsável por auditar as respostas da IA no atendimento? Esse é o primeiro gap a fechar antes de qualquer decisão de compra.
  1. O que a IA não pode fazer está documentado com a mesma clareza do que ela pode fazer? Regulamentações setoriais (Anvisa, Conar, LGPD, Código de Defesa do Consumidor) já impõem limites reais, mesmo sem o Marco Legal aprovado.
  1. Existe um histórico auditável das decisões automatizadas, que diga o que foi respondido, com base em quê, e quem poderia revisar isso se fosse cobrado?
  1. Os indicadores de eficiência (TMA, FCR, CSAT/NPS) estão sendo olhados em conjunto, e não isoladamente? Um TMA baixo pode escapar de estar “enganando” a liderança, se o esforço do cliente ou a taxa de reincidência não estiverem no mesmo painel.

Erros comuns que valem a pena evitar

Tratar a IA como um projeto com início, meio e fim, e não como algo que precisa de curadoria contínua é a armadilha mais comum entre quem implementa e “esquece”.

Otimizar só o TMA sem olhar para o First Call Resolution: reduzir o tempo de atendimento com automação parece ótimo no relatório, mas pode mascarar um cliente que precisou repetir o mesmo problema três vezes.

LEIA TAMBÉM | Principais indicadores e métricas de atendimento ao cliente para acompanhar

Deixar a IA lidar com clientes já insatisfeitos ou detratores. Segundo o próprio debate no NeoTalks, esse é o tipo de interação em que a IA quase sempre piora o indicador, porque quem já está com atrito quer, antes de tudo, ser ouvido por um humano.

Não redesenhar o papel do time humano à medida que a IA assume tarefas — tratando a automação como substituição, e não como redistribuição de trabalho para funções mais estratégicas, como orquestração, auditoria e atendimento de exceções complexas ou emocionais.

Onde a Núb.ia entra nessa conversa

Regulação nenhuma resolve, por si só, o problema de segurança e responsabilidade no uso de IA, isso depende da arquitetura da própria ferramenta. É por isso que, na NeoAssist, a Núb.ia foi construída com cibersegurança robusta, auditoria contínua dos algoritmos para identificar e corrigir viés, e políticas formais de uso responsável e de sigilo dos dados do cliente.

Na prática, isso significa que funcionalidades como Núb.ia Sugere e Núb.ia Resume operam dentro de trilhos definidos, com histórico auditável de cada interação – exatamente o tipo de estrutura que um cenário de Marco Legal da IA (e de LGPD, que já está em vigor) exige de qualquer empresa que usa inteligência artificial para conversar com o cliente final. 

Não é sobre adicionar burocracia ao atendimento; é sobre ter, desde o primeiro dia, o “dono” e a curadoria inegociáveis.

Se você quer entender com mais profundidade como transformar essa governança em prática, quem deveria ser o dono da IA, como estruturar alçada e como esse mesmo tema se conecta à métricas como TMA e FCR, vale conferir a conversa completa no NeoTalks “IA no atendimento: o que decidir antes que virar obrigação”, com Ricardo Tiba e Rafael Fernandes. Boa parte do raciocínio deste artigo nasceu direto dessa troca.

Em resumo

  • O PL 2338/2023 (Marco Legal da IA) foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e está em fase final na Câmara dos Deputados, com pressão para votação ainda em 2026.
  • O texto classifica sistemas de IA por risco, cria o Sistema Nacional de Regulação e Governança de IA (SIA) e prevê multas de até R$ 50 milhões por infração.
  • Segundo o Gartner, até 2027, processos manuais de conformidade em IA vão expor 75% das organizações reguladas a multas superiores a 5% da receita global — o risco já é medido, não é hipotético.
  • Os três pilares para uma IA de atendimento sem passivo jurídico são: transparência com o cliente, alçada bem definida sobre o que ela não pode fazer, e um dono humano responsável por auditoria contínua.
  • Não redesenhar o papel do time humano tratando a IA como substituição em vez de redistribuição de trabalho é um dos erros mais comuns e mais caros dessa transição.
  • Uma IA de atendimento construída com cibersegurança, auditoria de algoritmos e trilha de decisões auditável (como a Núb.ia) já nasce mais preparada para o cenário regulatório que vem antes mesmo de a lei virar obrigação.

F.A.Q

O Marco Legal da IA (PL 2338/2023) já é lei?

Não. O texto foi aprovado pelo Senado Federal em dezembro de 2024 e, em 2026, está em fase final de tramitação na Câmara dos Deputados, com expectativa de votação em plenário ainda neste ano. Até a votação final e a sanção, o texto pode sofrer ajustes.

Quais empresas serão afetadas pelo Marco Legal da IA?

Qualquer empresa que desenvolva, forneça ou utilize sistemas de inteligência artificial no Brasil, com atenção especial a setores que usam IA para decisões que afetam diretamente o consumidor como atendimento, crédito, saúde e recursos humanos, áreas onde a classificação de risco tende a ser mais alta.

Qual é a multa prevista para quem descumprir o Marco Legal da IA?

O texto prevê sanções que podem chegar a R$ 50 milhões por infração, dependendo da gravidade e da classificação de risco do sistema envolvido.

IA no atendimento já precisa seguir alguma regra hoje, antes da lei sair?

Sim. A LGPD já regula o tratamento de dados pessoais usados por qualquer IA, e regulamentações setoriais (Anvisa, Conar, Código de Defesa do Consumidor) já se aplicam a respostas automatizadas, independente do Marco Legal da IA ser aprovado ou não.

Como preparar a operação de atendimento antes do Marco Legal da IA ser aprovado?

Definindo um responsável humano pela curadoria da IA, documentando com clareza o que ela não pode fazer, mantendo um histórico auditável das decisões automatizadas e revisando os indicadores de eficiência em conjunto (TMA, FCR, CSAT), não isoladamente.

Conclusão

Regulação não nasce para travar quem já faz a lição de casa, mas sim para formalizar o que a boa liderança de atendimento já devia estar fazendo. Quem definir agora quem é o dono da sua IA, o que ela nunca pode responder e como isso é auditado, não vai encarar o Marco Legal da IA como uma corrida contra o tempo quando o texto for sancionado. Vai encarar como uma confirmação de que a casa já estava em ordem.

Se quiser entender como a Núb.ia foi construída para operar dentro desses trilhos desde o primeiro dia, fale com um especialista da NeoAssist.

NeoAssist

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Trabalho reconhecido, propósito reafirmado.